No futebol não há constantes eternas. Há sempre quem afirme que a Espanha “vai a todas, mas fica sempre pelo caminho”, promete muito, mas falha quando é a doer. Também se dizia que a Espanha estava fadada a perder com a Itália neste Europeu. Porque é o que manda a tradição. Nada de mais errado. Com todo o mérito, a Selecção espanhola conquistou o primeiro lugar do seu grupo, arrancou a vitória “a punhos” mas justamente nos quartos e agora avança para a final com toda a glória, arrasando uma Rússia surpreendente, à qual ninguém pode retirar o valor.
Por isso, antes de mais, parabéns à Espanha e à sua excelente equipa (note-se o realce para o conjunto).
Equipa que não o seria, sem o talento e a experiência de um grande “maestro” do futebol, Luis Aragonés, que já se sabia estar de saída do comando da Selecção para ir treinar o Fenerbahçe (isto de anunciar contratações de treinadores antes de jogos decisivos no Europeu está a virar moda…), algo que, afortunadamente para a competição, nem sequer beliscou o desempenho dos jogadores.
O intervalo pode ter chegado com um empate a zero, mas os números da partida deixavam bem claro que a Espanha não iria sucumbir ao futebol “venenoso”, de primeiro toque, com que os russos “aviaram” a Suécia e a Holanda. Não, os espanhóis estavam fortes e confiantes, além de já terem uma boa “rodagem” contra a táctica russa, fruto da vitória por 4-1, em Innsbruck, apenas 16 dias antes. Bem orientados pelo seu técnico, com o apoio incondicional e visível da sua afición nas bancadas e observados de perto pela realeza espanhola, o ânimo era total.
A verdade é que a equipa russa nunca teve espaço para trocar eficazmente a bola, pois havia sempre um espanhol a pressionar quem a transportava, “secando” quase por completo a dupla atacante Andrei Arshavin e Roman Pavlyuchenko. Pelo contrário, a Rússia nunca teve argumentos para parar a “fúria” espanhola dentro das quatro linhas (ou dentro das regras).
Tendo a linha atacante da Rússia bloqueada e mostrando claramente a sua força, os pupilos de Aragonés não perdoaram na segunda parte. Nem a lesão de David Villa – um dos melhores avançados em prova – aos 34 minutos fez alterar o rumo de jogo.
O primeiro golo nasce do entendimento perfeito entre uma dupla de médios do Barcelona, Andrés Iniesta e Xavi Hernández, com Xavi a apontar decididamente o tento que inaugurou a partida e indiciou o princípio do fim para a Rússia.
Uma palavra adicional para Iniesta, fundamental no conjunto espanhol, não só pelo papel neste primeiro golo, mas por todo o trabalho que realizou ao longo do jogo e que lhe valeu o prémio de Homem do Jogo para a UEFA.
No entanto, houve outra figura de destaque. A partir do primeiro golo, foi Fàbregas, que havia substituído Villa, a marcar o ritmo da partida, deixando a Rússia completamente à deriva. Foram duas excelentes assistências de Fàbregas que deram os restantes golos da partida.
O primeiro, marcado por Daniel Güiza, vencedor, recorde-se, do sempre cobiçado “Pichichi”, prémio atribuído ao melhor marcador do campeonato espanhol. Valeu a chamada à Selecção, deste avançado do Maiorca, ontem devidamente justificada…
…o segundo, pelo “irrequieto” e desiquilibrador avançado do valência, David Silva, quanto a mim um dos melhores em todas as partidas da Espanha neste Europeu.
Pouco mais há a acrescentar. As estatísticas do jogo mostram bem o domínio espanhol: a Rússia teve apenas um remate bem direccionado à baliza, enquanto a Espanha acertou 11 de um total de 20 tentativas (mas o guarda-redes russo, Igor Akinfeev, foi obrigado a “salvar” os companheiros em oito ocasiões). De resto, foi um “recital espanhol à chuva” em Viena, com Casillas a ter um jogo atento, mas mais descansado.
A Espanha envia a Rússia de volta a casa…
…e tem razões justas para celebrar a conquista de um lugar na tão ambicionada final, contra a Alemanha. Que ganhe o melhor!
Estatísticas:
| Rússia | Espanha | |
| 0 | Golos marcados | 3 |
| 2 | Cartões amarelos | 0 |
| 0 | Cartões vermelhos | 0 |
| 1 | Remates à baliza | 11 |
| 5 | Rem. fora | 7 |
| 17 | Faltas cometidas | 14 |
| 3 | Cantos | 4 |
| 1 | Foras-de-jogo | 4 |
| 29′ 17” | P. bola (tempo) | 31′ 21” |
| 48% | P. bola (%) | 52% |






























Enquanto isso, aguardam-se novidades sobre as possíveis saídas do guarda-redes Stoikovic e dos médios Miguel Veloso e João Moutinho, além do desfecho das negociações por Grimi. No entanto, anda tudo muito pacífico para os lados de Alvalade. O que até pode ser um bom sinal.































