16 Junho, 2008...12:04 pm

Suíça 2-0 Portugal

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Com dois golos na segunda parte, Hakan Yakin ofereceu à Suíça, já eliminada antes do jogo em St Jakob Park, a sua primeira vitória numa fase final de um campeonato da Europa de futebol. Este poderia ser perfeitamente um resumo do jogo, caso os suíços como equipa tivessem realizado uma exibição mediana e a Selecção portuguesa tivesse existido para além dos primeiros 45 minutos de jogo. O que está muito longe da verdade.

O desejo da Suíça em abandonar o torneio com uma nota positiva foi bem patente durante toda a partida, com especial relevo para o segundo termo, em que, após um longo período de forte pressão sobre o adversário e ainda com 20 minutos para o fim, Eren Derdiyok colocou Yakin na cara do golo e o avançado não se fez rogado. Logo ali se percebeu que os co-anfitriões não deixariam fugir a oportunidade de “salvar a face”, evitando a humilhação de terminar o EURO 2008 sem qualquer ponto.

Yakin teve ainda tempo para marcar o segundo do jogo (terceiro da sua conta pessoal no EURO), da marca de grande penalidade, a castigar uma falta de Fernando Meira sobre Tranquillo Barnetta nos últimos 10 minutos.

É certo que o resultado não alterou o estatuto de Portugal como vencedor do Grupo A, mas que pode ter afectado um pouco a confiança dos adeptos, isso pode. A Suíça fez alinhar basicamente o mesmo 11 das duas anteriores partidas, mas Scolari decidiu entrar em poupanças e efectuou nada menos que 8 alterações às suas primeiras escolhas, deixando muitas das figuras principais no banco.

Nada de errado em termos estratégicos, mas a quebra do nível exibicional foi por demais evidente. De todos, sou forçado a dizer que apenas Nani e Quaresma jogaram o bastante para criar problemas à Suíça, nomeadamente pelas alas. Nani, em particular, esteve envolvido em muitas das melhores movimentações dos portugueses, incluindo uma bola ao ferro e duas situações passíveis de grande penalidade, que o árbitro austríaco, Konrad Plautz, não reconheceu como tal. Aliás, diga-se em abono da verdade que, mesmo não considerando estas duas situações duvidosas, o árbitro teve uma actuação que deixou bastante a desejar, excessivamente interventiva, a roçar o irritante, o que também não contribuiu para um melhor fluxo de jogo. Porém, não se culpe o árbitro pela fraca exibição de Portugal e pelo péssimo resultado obtido. Se o rigor do senhor Plautz tivesse sido absoluto, então Paulo Ferreira teria sido expulso pela entrada violentíssima que teve sobre Behrami.

Portugal até teve maior tempo de posse de bola, dos poucos factos do jogo em que conseguiu ser superior à Suíça, mas não soube aproveitar e falhou na eficácia. Os suíços, por seu lado, também tiveram ao seu dispor várias oportunidades para marcar, onde se pode destacar um cabeceamento de Derdiyok para defesa acrobática de Ricardo e um disparo sensacional de Gokhan Inler que ainda roçou o poste.

Inler que foi, na minha opinião, o melhor jogador em campo durante toda a partida, seguido de perto por Derdiyok, Gelson Fernandes, Philippe Senderos e, claro está, o inevitável Hakan Yakin, considerado o Homem do Jogo pela UEFA.

Ainda uma nota para a bonita homenagem prestada, no final do jogo, pelos jogadores suíços a Jakob Kuhn, de saída do cargo de seleccionador nacional, com um substituto já anunciado, o ex-treinador do Bayern de Munique, o alemão Otto Rehhagel. Terá Luiz Felipe Scolari direito a uma despedida destas? Fica a pergunta.

Estatísticas:

44.3% Posse 55.7%
16 Remates 9
6 Remates à baliza 3
2 Defesas 1
5 Cantos 2
26 Faltas 27
1 Foras-de-jogo 6
4 Cartões amarelos 4
0 Cartões vermelhos 0
19 Tackles 17
259 Passes certeiros 342
55 Passes errados 70

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